Fundação Tzu Chi: “Falta de Fundos Está a Atrasar Reconstrução Pós-Idai”
AFundação Tzu Chi em Moçambique fez saber que a falta de recursos financeiros está a condicionar o processo de reconstrução das áreas afectadas pelo ciclone Idai, que atingiu o centro do País há cinco anos.
Escrita Por: Administração |
Publicado: 2 years ago |
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Categoria: Economia
“As coisas não estão a sair como se esperava. O Governo, na altura, pediu 3,2 mil milhões de dólares, mas a comunidade internacional prometeu apenas 1,2 mil milhões. Como podem ver, há um grande défice financeiro”, explicou o presidente da Fundação Tzu Chi em Moçambique, Dino Foi.
Falando em entrevista à Lusa, o responsável destacou que, actualmente, há ainda muitas famílias a residir em tendas e muitas infra-estruturas públicas e privadas por construir, secundando que a pandemia da covid-19 veio influenciar negativamente as actividades de reabilitação.
“A covid-19 veio desacelerar o ritmo de reabilitação, perdemos cerca de dois anos e ainda temos pessoas a viverem em tendas”, sublinhou.
O dirigente alertou que a cidade da Beira e a vila do distrito de Búzi – os locais mais arrasados pelo Idai – continuam muito vulneráveis a ciclones e inundações e podem mesmo desaparecer, caso ocorram intempéries de intensidade severa.
“Não é preciso ter um doutoramento em clima ou em meio ambiente para perceber que Búzi, um dia, vai desaparecer e a mesma coisa vai acontecer com a Beira se não acontecerem intervenções de vulto, para a adaptação ao impacto das mudanças climáticas”, alertou.
Dino Foi assinalou que as cidades costeiras moçambicanas estão cada vez mais desprotegidas, devido à destruição de mangais e florestas e a construções em zonas que deviam de servir de barreira ao impacto das mudanças climáticas, e sublinhou que o País não pode depender apenas de grandes instituições internacionais para restaurar a vida devastada das vítimas das calamidades naturais, devendo manter e reforçar a mobilização de pequenas organizações e dos cidadãos.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.
O período chuvoso de 2018-19 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o País.
Já no primeiro trimestre do ano passado, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afectaram no País mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.
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