Área 1: Credores da TotalEnergies Avaliam Reinício do Projecto de Gás em Moçambique
Após três anos de paralisação, os credores da TotalEnergies estão a avaliar a libertação de milhares de milhões de dólares para o financiamento do projecto de gás natural liquefeito (GNL), visto que a petrolífera francesa anunciou recentemente que planeia retomar em breve as actividades na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
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Categoria: Economia
De acordo com a Bloomberg, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos da América (EXIM Bank – EUA, em inglês) comprometeu a maior parte do financiamento, que são no total, 4,7 mil milhões de dólares, e os demais credores serão responsáveis por disponibilizar 15 mil milhões de dólares.
“O EXIM Bank continua a trabalhar com os seus parceiros financeiros e mutuários para realizar a devida diligência para o projecto Mozambique LNG em conexão com os projectos propostos e reiniciar as alterações aos documentos financeiros. Não fizemos desembolsos por causa do estado de força maior”, argumentou a instituição, citada na publicação feita nesta segunda-feira, 4 de Março.
a d v e r t i s e m e n t
Segundo aquela agência de notícias, a avaliação sobre a possibilidade de retomar o financiamento coincide com a decisão tomada em Janeiro, pela administração do Presidente Joe Biden, de suspender a aprovação de novas licenças de exportação de gás natural liquefeito, em reconhecimento de que o impacto climático do combustível fóssil precisa de ser reavaliado.
“O EXIM está à procura de estratégias para se alinhar com a agenda climática de Biden, ao mesmo tempo que cumprimos com os requisitos legais da nossa instituição”, salientando que o “empréstimo ao projecto de Moçambique foi inicialmente concedido em 2020, durante a administração do ex-Presidente Donald Trump”.
A instituição financeira ressalvou ainda que todas as transacções passam por uma diligência devida rigorosa de acordo com os requisitos estatutários e políticos da agência, incluindo uma análise de viabilidade e alinhamento com os procedimentos e directrizes de diligência devida financeira, técnica, ambiental e social.
Fazendo uma análise geral, a Bloomberg recordou que embora a invasão da Ucrânia pela Rússia tenha levado a Europa a uma corrida por fontes de energia alternativas que aumentaram o interesse na próxima produção de GNL, os projectos em desenvolvimento nas nações africanas ainda são susceptíveis a uma série de questões, incluindo instabilidade política e atrasos na construção.
“Moçambique tem o obstáculo adicional de uma insurgência que foi subjugada pelas Forças Armadas, embora os combatentes islâmicos ainda realizem ataques mortais esporádicos. Em Dezembro, novos ataques marcaram um ressurgimento da violência depois de as forças moçambicanas e regionais terem anunciado, no ano passado, grandes ganhos no conflito. O ataque recente mais mortífero ocorreu a cerca de 136 quilómetros a sul do projecto de GNL”, descreveu.
Em Outubro passado, o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, apelou às agências de crédito à exportação envolvidas para se comprometerem novamente com o financiamento.
Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, todas localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado.
Dois desses projectos têm maior dimensão e prevêem canalizar o gás do fundo do mar para terra, arrefecendo-o numa fábrica para depois o exportar por via marítima em estado líquido.
Um é liderado pela TotalEnergies (consórcio da Área 1) e as obras avançaram até à suspensão por tempo indeterminado, após o ataque armado a Palma, em Março de 2021, altura em que a energética francesa declarou que só retomaria os trabalhos quando a zona fosse segura. O outro é o investimento ainda sem anúncio à vista liderado pela ExxonMobil e Eni (consórcio da Área 4).
Um terceiro projecto concluído e de menor dimensão pertence também ao consórcio da Área 4 e consiste numa plataforma flutuante de captação e processamento de gás para exportação, directamente no mar, que arrancou em Novembro de 2022.
https://www.diarioeconomico.co.mz/2024/03/05/oilgas/area-1-credores-da-totalenergies-avaliam-reinicio-do-projecto-de-gas-em-mocambique/