Com a banca comercial: Aumento das taxas de juro agrava obrigações das empresas

A CONFEDERAÇÃO das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defende que o aumento das taxas de juro anunciado recentemente pelo Banco Central agrava as obrigações das empresas com a banca comercial.


Escrita Por: Administração | Publicado: 4 years ago | Vizualizações: 15 | Categoria: Economia


Embora o agravamento do custo de capital tenha o seu mérito no contexto da condução da política monetária visando à prossecução do seu objectivo supremo, o sector privado considera que a estabilidade de preços (que reflecte a melhoria do ambiente macroeconómico) afigura-se bastante desafiante para o sector empresarial.

A CTA justifica que as empresas ainda se ressentemdos impactos negativos da Covid-19, das consequências dos eventos climáticos extremos e da instabilidade que se observa em algumas partes do país.

É que, depois dos impostos, as obrigações com a banca figuram como o maior pesodos compromissos com terceiros, tanto para as empresas assim como para as famílias.

De acordo com a fonte, para além de restringir o já deficiente acesso ao crédito, o aumento das taxas de juro resultano agravamento da carga de obrigações das empresas com a banca, com reflexos negativos nos fluxos de caixa das unidades e afectando a sobrevivência de grande parte das pequenas e médias empresas.

Por outro lado, com este aumento das taxas directoras, particularmente a MIMO, que é a taxa de juro de referência do Mercado Monetário Interbancário e uma peça fundamental na formação da “Prime Rate” (que constitui a base para a formação das taxas de juro de crédito àeconomia), espera-se que o custo de capital em Moçambique aumente consideravelmente nos próximos períodos.

Isto é, o aumento da MIMO em 300 pontos base terá como impacto o aumento da “Prime Rate” nesta cifra, podendo-se repercutir nas taxas de juro de crédito à economia, que actualmente se situam numa média de 19.62 por cento.

Isto significa que a “Prime Rate” sobe dos actuais 15.5 para 18.5 por cento, o que poderá impulsionar o aumento das taxas de juro de crédito à economia dos actuais 19.62 para 22.62 por cento em média.

Recorde-se que, nos finais do mês passado, o Banco de Moçambique decidiu aumentar a taxa de juro de política monetária (MIMO) em 300 pontos base, passando de 10,25 para 13,25 por cento.

Decidiu, igualmente, aumentaras taxas de juro de Facilidade Permanente de Cedência (FPC) de 7,25 para 10,25 por cento, e de Facilidade Permanente de Depósito (FPD) de 13,25 para 16.25 por cento.

O Banco de Moçambique justifica este agravamento das taxas directoras com a substancial revisão em alta das perspectivas de inflação para o médio prazo, a reflectir a contínua depreciação do metical, num ambiente de maior agravamento dos riscos e incertezas, com destaque para as consequências negativas da propagação acelerada da Covid-19 e a ocorrência de calamidades naturais, sem descurar os efeitos da instabilidade militar nas zonas norte e centro do país.

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