“Estamos a Apoiar a Mudança Sistémica de Moçambique” – Embaixador Norueguês
ANoruega acaba de anunciar 4 milhões de dólares para apoiar o projecto de preservação do ecossistema marinho em Moçambique, mas a cooperação vai muito além disso. Em que é que assenta? É o que a seguir revela o embaixador Haakon Gram-Johannessen
Escrita Por: Administração |
Publicado: 1 year ago |
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Categoria: Economia
Moçambique e Noruega detêm um considerável potencial para emprego e desenvolvimento económico a partir dos oceanos. Actualmente, a gestão dos mares e das pescas representa uma parte crucial da economia norueguesa, que sonha em tornar-se líder mundial na exploração das oportunidades oceânicas. É esta tradição que quer passar a Moçambique. Há mais de 45 anos que ambos os países cooperam em diferentes sectores, incluindo a economia azul. Um exemplo é o navio de pesquisa Dr. Fritjof Nansen, de propriedade norueguesa, que já visitou Moçambique 12 vezes ao longo dos anos. Este navio contribuiu para estabelecer vínculos entre profissionais e para o desenvolvimento de capacidades e investigação conjunta sobre a gestão dos recursos haliêuticos. Agora, essa cooperação segue para um novo patamar.
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Quais são as áreas específicas de cooperação?
Através de um diálogo aprofundado, baseado nas necessidades moçambicanas e nas capacidades norueguesas, foram identificadas as seguintes áreas específicas de cooperação: gestão oceânica integrada, ambiente marinho e costeiro, incluindo resposta a emergências e poluição aguda, pesquisa, desenvolvimento e estatísticas das pescas. A cooperação também visa facilitar a implementação da estratégia da economia azul de Moçambique, que será lançada em breve. Finalmente, além da Noruega, existem vários outros parceiros de desenvolvimento a trabalhar para apoiar a economia azul. O nosso objectivo é fornecer serviços complementares com base na vantagem comparativa da Noruega.
Um dos propósitos da cooperação é o apoio institucional. Quais as fragilidades mais preocupantes a este nível?
A fraqueza institucional é um termo relativo. As instituições tendem a fortalecer-se à medida que um país se desenvolve. Isto não significa que se deva apenas esperar e cruzar os dedos. Também é geralmente aceite que instituições melhoradas representam uma premissa importante para resultados de desenvolvimento favoráveis. As instituições envolvidas na economia azul moçambicana têm muitas pessoas talentosas e dedicadas. No entanto, a maioria dessas instituições poderia beneficiar de reforço de pessoal, com conhecimentos e um conjunto de competências relevantes. Além disso, existe sempre potencial para uma interacção melhorada, tanto dentro como entre as instituições governamentais. No entanto, as mudanças estruturais são difíceis de realizar. Requerem um compromisso de alto nível e uma vontade política sustentada, aliados à paciência e à resistência. Como parceiro de confiança, a Noruega é um parceiro adequado nas iniciativas de Moçambique para a mudança sistémica.
Até que ponto o potencial económico aquático nacional, quando aproveitado, pode ajudar na criação de empregos e no crescimento?
Moçambique encontra-se num momento crítico do seu desenvolvimento. As receitas dos projectos de gás natural liquefeito (GNL) podem proporcionar um lucro muito necessário. No entanto, a história tem mostrado que tais receitas também podem representar um problema. Elas podem levar ao abandono da economia não relacionada com o GNL e a um desenvolvimento desequilibrado e injusto. O Governo está ciente disso. O desafio é cuidadosamente analisado e discutido no plano nacional a cinco anos e na próxima estratégia sectorial para a economia azul. O programa “Oceano para o Desenvolvimento” contribuirá para a implementação desta estratégia e, assim, para a diversificação da economia.
Quais são os melhores modelos em África e no mundo para gerar valor através dos recursos marinhos?
A Namíbia é considerada por muitos um exemplo de sucesso na gestão dos recursos haliêuticos. Após a independência, aquele país assumiu um controlo firme das suas águas territoriais e o sector da pesca marinha cresceu rapidamente. Desde 1990, foram feitas melhorias consideráveis na monitorização e regulação dos recursos haliêuticos, em parte com o apoio da Noruega.