IISD: “Maus Acordos Sobre o Desenvolvimento do Gás Aumentam Risco Económico Para Moçambique”
O Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD) revela no seu mais recente relatório que o desenvolvimento dos grandes depósitos de gás ao largo da costa de Moçambique poderá não conseguir impulsionar a economia do País conforme previsto, devido aos maus acordos e à possível diminuição da procura por parte dos mercados europeus.
Escrita Por: Administração |
Publicado: 2 years ago |
Vizualizações: 1709 |
Categoria: Economia
“Os depósitos de gás natural liquefeito (GNL) foram anunciados em 2010 como um caminho certo para a prosperidade económica do País. Em 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que as receitas totais poderiam atingir 500 mil milhões de dólares até 2045”, explica o documento denominado “Navegando nas Decisões: Os Riscos Para Moçambique dos Projectos de Exportação de Gás Natural Liquefeito”, divulgado nesta sexta-feira, 15 de Dezembro.
De acordo com o consultor político do IISD e principal autor do relatório, Richard Halsey, os planos de GNL podem acabar “por sair pela culatra”, minando a economia e a soberania de Moçambique, impactando o ambiente e agravando as tensões sociais. “A bonança do recurso natural no país africano parece cada vez mais arriscada”.
a d v e r t i s e m e n t
“O Governo moçambicano promoveu o gás natural como uma solução para os seus problemas económicos, mas o nosso estudo mostra que grandes lucros podem não se materializar. Além disso, é claro que o caminho que o Governo está a tomar para acomodar poderosos interesses estrangeiros coloca Moçambique numa posição vulnerável, onde os benefícios residem num futuro distante e os passivos da dívida existentes permanecem com o Estado, e não com as empresas internacionais de combustíveis fósseis, que beneficiarão imediatamente”, explica.
O consultor salienta ainda que desde a descoberta dos depósitos de gás, a estratégia de desenvolvimento tem dependido fortemente dos supostos retornos financeiros de futuros projectos de gás, que se previam aumentar o Produto Interno Bruto (PIB), estimular a industrialização e criar empregos.
No entanto, o que se assiste actualmente, “são centenas de deslocalizações forçadas, intimidação de jornalistas, criação de emprego para estrangeiros, cenário de violência por parte dos jihadistas islâmicos, o que não representa um quadro promissor”.
“A volatilidade nos mercados europeus significa que, embora a procura de GNL seja agora elevada, não está garantida a longo prazo. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia e as subsequentes sanções comerciais que reduziram o fornecimento de gás russo, os países europeus lutaram para garantir o seu fornecimento. Isto colocou os projectos de moçambicanos entre as principais perspectivas para acordos de importação da União Europeia”, clarifica o estudo.
Richard Halsey frisa que a aceleração da mudança global para as energias renováveis, combinada com a crescente preocupação com os impactos dos combustíveis fósseis nas alterações climáticas, significa que os mercados desenvolvidos estão cada vez mais empenhados em reduzir as suas importações de carvão, petróleo e gás a longo prazo.
Apesar das perspectivas de longo prazo, o financiamento internacional para os combustíveis fósseis em Moçambique tem sido muito maior do que para as energias renováveis. No final de 2020, o apoio às energias renováveis no País ascendia a um total de 219,8 milhões de dólares. Em contraste, o financiamento público internacional para o projecto de GNL da TotalEnergies foi 60 vezes maior em 2020, cifrando-se em 13,8 mil milhões de dólares.
Portanto, os autores do relatório aconselham que em vez de avançar com projectos de GNL que ainda não estão operacionais, “Moçambique estaria melhor se procurasse indústrias menos arriscadas com a sustentabilidade económica e ambiental a longo prazo”.
Fonte: https://www.diarioeconomico.co.mz/2023/12/15/oilgas/iisd-maus-acordos-sobre-o-desenvolvimento-do-gas-aumentam-risco-economico-para-mocambique/