Embaixador da Itália “Aconselha” Moçambique a Evitar Empréstimos e Procurar Donativos
O embaixador da Itália em Moçambique, Gianni Bardini, aconselhou o País a evitar empréstimos e procurar apenas aceder a donativos ou créditos concessionários, para não agravar ainda mais a situação, caracterizada por uma dívida pública insustentável.
Escrita Por: Administração |
Publicado: 1 year ago |
Vizualizações: 227 |
Categoria: Economia
Segundo a Agência de Informação de Moçambique (AIM), actualmente, a dívida pública está na ordem de 70% do Produto Interno Bruto (PIB). O “stock” total da dívida cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2024, para 999 mil milhões de meticais (14 bilhões de dólares), de acordo com dados da execução orçamental, apresentados pelo Ministério de Economia e Finanças (MEF).
a d v e r t i s e m e n t
O diplomata lançou a sua visão em entrevista concedida à AIM, numa altura em que a sua missão está praticamente no fim, aguardando o seu substituto que já foi indicado pelo Governo italiano. “Como solução, o País deve reduzir os níveis de endividamento e procurar financiamento externo de fundos concessionários ou donativos”, disse o diplomata baseado em Maputo.
Outras Notícias Para Ler
Tribunal Moçambicano Volta a Suspender Exportação de Feijão Bóer Para a Índia
Porto de Nacala Espera Movimentar 3,5 Milhões de Toneladas de Carga Até Dezembro
13 de Agosto, 2024
Tanzânia Pretende Criar 20 Pequenas Indústrias em Cada Uma Das Suas Regiões
Tanzânia Pretende Criar 20 Pequenas Indústrias em Cada Uma Das Suas Regiões
13 de Agosto, 2024
Empresariado Contesta Contribuição Para Formação Técnico-Profissional
“Ensino Técnico-Profissional Abrangeu Mais de 100 Mil Alunos em 2023” – Governo
13 de Agosto, 2024
Exxon Mobil Reitera Compromisso, Reestrutura Projecto Mas Não Adianta Datas de Investimento na Área 4
Petróleo em Queda Após OPEP Reduzir Estimativas de Consumo Pela Primeira Vez Desde Julho de 2023
13 de Agosto, 2024
Para a fonte, a dívida está a limitar o País a encontrar outras fontes de financiamento nas praças financeiras internacionais porque o seu nível de endividamento externo é insuportável. Referiu que 92% do Orçamento do Estado é gasto em salários e pagamento da dívida, tanto externa como interna, restando apenas 8% do orçamento para despesas de investimento, factor que atrasa o desenvolvimento do País a todos os níveis.
“Neste momento, o financiamento internacional não tem muita disponibilidade. Para reduzir a dívida, Moçambique deve reduzir a sua despesa interna. Só assim pode recuperar a confiança de parceiros internacionais, mas isso não se resolve de noite para o dia”, vincou.
No entanto, o embaixador estimou que Moçambique vai crescer economicamente nos próximos anos, fruto das receitas dos projectos de gás em curso no País, mas chamou atenção para a problemática da dívida pública que se encontra a níveis altos, na ordem de 70% do PIB.
Ministério da Economia e Finanças
Sobre o terrorismo, assegurou que o fenómeno que assola a província nortenha de Cabo Delgado, desde Outubro de 2017, não coloca em risco as operações da petroquímica italiana (ENI) que opera o projecto Coral Sul FNLG, mas reconhece que a situação preocupa porque há outros projectos italianos estagnados na indústria do gás do Rovuma por conta da insegurança.
O Projecto Coral Sul FLNG, implementado pelas concessionárias da Área 4 da Bacia do Rovuma, está fora da rota do terrorismo porque é offshore e operado a mais de 50 quilómetros da costa.
a d v e r t i s e m e n t
“Segurança para ENI não é um problema porque o projecto é offshore. O gás está sendo extraído e liquefeito a 60 quilómetros da costa através de uma plataforma flutuante. Esta plataforma está a dois mil metros de profundidade, por isso a ENI nunca foi impactada pela insurgência. O problema é com outras iniciativas italianas envolvidas com o projecto Mozambique LNG, da TotalEnergies. Neste momento esses projectos, como a SAIPEM, pararam e esperamos que recomessem”, disse o embaixador.