África Pulse: “África Subsaariana Vai Crescer 3,4% Este Ano e 3,8% em 2025”
Dito assim, parecem ser boas notícias. Até porque a economia regional expandiu apenas 2,6% em 2023. Os problemas, assinalam os analistas do Banco Mundial (BM), é que não existe um crescimento em termos reais (ou seja, descontando a inflação). E, por outro lado, este progresso não é sustentado no tempo e, como tal, não é suficiente para reduzir a pobreza.
Escrita Por: Administração |
Publicado: 1 year ago |
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Categoria: Economia
O aguardado relatório África Pulse, publicado semestralmente pelo BM, que apresenta os principais desafios e tendências de evolução para a África Subsaariana, conclui que, apesar do aumento previsto do crescimento na região (3,4% este ano e 3,8% em 2025), o ritmo de expansão económica continuará a ser inferior à taxa de crescimento da década anterior (6,5% de 2000-2014), sendo insuficiente para ter um efeito significativo na redução da pobreza. Conheça as principais conclusões deste relatório, divididas por grandes temas:
a d v e r t i s e m e n t
Economia: a região da África Subsaariana deverá crescer 3,4% este ano e 3,8% em 2025 (acima dos 2,6% registados em 2023), devido à queda da inflação na maioria dos países, ao aumento do consumo privado e à recuperação económica global (em particular nos Estados Unidos da América). Os destaques pela negativa vão para as grandes economias da África do Sul (0,6% em 2023 e 1,2% em 2024) e de Angola (0,8% em 2023 e 2,8% em 2024). No critério do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o desempenho é ainda mais modesto: 0,9% em 2024 e 1,3% em 2025, embora melhor que os 0,1% de 2023. A conclusão é que, apesar dos progressos, a recuperação continua “fraca” visto que o crescimento real (ou seja, deduzido da inflação) é inexistente.
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Inflação: a taxa média regional deverá cair dos 7,1% registados em 2023 para 5,1% em 2024 e 5% em 2025. A queda dos preços das commodities e os efeitos das políticas monetárias restritivas e da consolidação orçamental explicam a redução das tensões inflacionistas que, ainda assim, se mantém acima dos níveis pré-pandemia. Para este ano há 14 países com a previsão de inflação a dois dígitos em 2024, caso do Maláui, Nigéria, Etiópia, Gana e Angola.
Política monetária: no que se refere à desvalorização das moedas, os casos mais graves são a Nigéria (a naira desvalorizou 50% face ao dólar em 2023), Sudão do Sul, Angola e Maláui. Pela positiva, as moedas do Quénia e Zâmbia têm registado as maiores valorizações. Existe uma grande disparidade regional quanto às taxas de juro de referência dos bancos centrais. Segundo os dados a 15 de Março, as mais elevadas são as do Gana, Maláui e Nigéria (acima dos 20%). Moçambique (16,5%) surge no grupo seguinte, abaixo de Angola (19%) e Gâmbia (17%), mas acima dos vizinhos Quénia (13%), Zâmbia (12,5%) e África do Sul (8,25%).
Contas públicas: a taxa média de dívida pública em percentagem do PIB deverá descer de 61% em 2023, para 57% em 2024, mas os riscos de sobreendividamento mantêm-se altos. Mais de metade dos países têm problemas de liquidez e procuram reestruturar as dívidas; só que o custo do financiamento continua elevado (em 2023, os governos gastaram mais de 45% das suas receitas no pagamento da dívida e dos juros, contra 31% em 2022). No início do ano, o Benim, Costa de Marfim e Quénia voltaram aos mercados para emitir eurobonds (algo que já não ocorria desde 2022), mas pagaram taxas de juro a rondar os 10%. Outros países com reestruturação da sua dívida em curso são o Gana, Etiópia, Zâmbia e Chade.
Conflitos políticos: a instabilidade na África Ocidental persiste e foi agravada com a decisão do Burkina Faso, Mali e Níger de abandonar a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS) e com o adiamento das eleições no Senegal. Os conflitos mais violentos persistem no trio de países acima referido, ao que se juntam a Somália, o Sudão e a Etiópia. Outro risco adicional é que 17 países da África Subsaariana terão eleições este ano.
Desastres naturais: a insegurança alimentar está a ser amplificada por fenómenos extremos como as secas e as inundações que afectaram recentemente Moçambique, Etiópia, Quénia, Zâmbia e Somália. A falta de chuvas e a ocorrência de doenças gerou a quebra da produção de cacau no Gana e na Costa do Marfim, conduzindo a uma escalada dos preços. Este ano deve ser marcado por colheitas abaixo da média (incluindo em grandes produtores como a África do Sul e Zâmbia), o que reduzirá a disponibilidade de alimentos em países como o Zimbabué, Maláui (Sul), Moçambique (Sul e Centro) e Madagáscar (Sul).
Insegurança alimentar: segundo a Famine Early Warning Systems Network, em Março havia cerca de 105 milhões de pessoas na região em situação de insegurança alimentar grave. Os países com maior risco são o Burkina Faso, República Democrática do Congo, Maláui, Mali, Moçambique, Nigéria, Sudão, Sudão do Sul e Somália. Os analistas dizem que quase um terço das pessoas extremamente pobres vive em apenas dois países – RDCongo e Nigéria – e um outro terço vive em seis nações: Etiópia, Quénia, Madagáscar, Moçambique, Tanzânia e Uganda.
Redução da pobreza: a região tem sido incapaz de gerar progresso económico sustentado (os últimos dez anos foram, segundo os analistas, uma “década perdida”). Além disso, a desigualdade de rendimentos existente faz com que uma subida de 1% no PIB per capita seja equivalente à redução de apenas 1% na pobreza, ao contrário do que sucede noutras regiões do globo onde o efeito é de 2,5%. Segundo os analistas, a África Subsaariana regista uma pontuação no índice de Gini (que mede as disparidades no consumo) de 41,5, o que significa que a desigualdade social só é mais grave na região da América Latina e Caraíbas.
Texto: Jaime Fidalgo