Banco Mundial Alerta Para Aumento do Fosso Entre Pobres e Ricos em Moçambique
O Banco Mundial adverte que as desigualdades persistem em Moçambique, com um rácio de “Gini” de 50,4%, ilustrando que a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos ainda é elevada, apesar de ter registado uma descida de 5,7 pontos percentuais, saindo de 56,1 para 50,4% entre 2015 a 2020, informou esta quinta-feira, 18 de Janeiro, a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
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Publicado: 2 years ago |
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Categoria: Economia
Citando o Banco Mundial, o órgão refere que o consumo médio diário por pessoa é de 50,8 meticais e o consumo médio mensal por família é de 11 900 meticais.
a d v e r t i s e m e n t
Os dados constam do relatório do Banco Mundial de 2023, que faz a “Avaliação da Pobreza em Moçambique”, na qual revela que mais de cinco milhões de moçambicanos entraram em situação de pobreza durante o período referido.
Segundo o documento, o número de pobres no País aumentou no período compreendido entre 2015 a 2020, de 13,1 para 18,9 milhões de Moçambicanos, e a taxa de pobreza subiu de 48,4% para 62,8%, mostrando um retrocesso na redução da pobreza nacional.
O documento da “Avaliação da Pobreza 2023” fornece uma análise da pobreza e da equidade, baseando-se, principalmente, em dados do Inquérito ao Orçamento Familiar de 2019/20 (IOF 2020), realizado durante a pandemia da covid-19.
“O período analisado neste relatório (2015 a 2020) foi caracterizado por uma elevada volatilidade económica, tanto a nível interno como global, o que explica a inversão significativa da redução da pobreza”, lê-se no relatório.
São igualmente apontados choques, como a crise das dívidas ocultas e a consequente instabilidade macroeconómica, que levaram a um abrandamento significativo do crescimento do Produto Interno Bruto. A fragilidade económica foi ainda agravada pelos efeitos de dois fortes ciclones (Kenneth e Idai) que atingiram o País em 2019.
Os dados também mostram que a deterioração das dimensões não monetárias do bem-estar das famílias começou antes da covid-19, tendo a pandemia exacerbado esta tendência negativa.
Globalmente, revela o relatório, a pobreza continua a concentrar-se de forma desproporcional na região norte, tanto em termos absolutos como relativos, pois os conflitos e a fragilidade exacerbaram a incidência da pobreza nesta parte do País.
Segundo o documento, embora os choques sejam, em grande parte, responsáveis pelo retrocesso significativo na redução da pobreza, as questões estruturais continuam a agravar a pobreza. “A lenta transformação económica impede o crescimento e uma melhoria mais rápida das condições de vida”, realça.
O Banco Mundial assume que o crescimento e a redução da pobreza em Moçambique abrandaram na última década. “Embora Moçambique espere desfrutar de um boom de recursos naturais, que têm o potencial de impulsionar um forte crescimento económico e reduzir a pobreza, este resultado ainda não é garantido”, esclarece o relatório.
O documento adverte que experiências de outros países mostram que os efeitos económicos globais dos “booms” de recursos naturais podem ser mistos. No entanto, se bem geridos, os recursos naturais têm o potencial de alimentar o rápido crescimento económico, o que pode ajudar a acelerar a redução da pobreza se o crescimento for partilhado por toda a distribuição de rendimentos.
Fonte: https://www.diarioeconomico.co.mz/2024/01/19/economia/banco-mundial-alerta-para-aumento-do-fosso-entre-pobres-e-ricos-em-mocambique/